Grupo de Jovens da Paróquia de Mafamude

Diácono Alberto Teixeira

1) O que significa para si ser Diácono?

Ser Diácono, para mim, significa uma disponibilidade para servir a Cristo, servindo a Igreja e o Homem com quem me cruzo no dia a dia da vida. Esta disponibilidade para servir, não é nova; aliás, nem poderia ser de outro modo. É-se Diácono porque se sente, se experimenta, se vive em espírito de serviço à Igreja e aos outros. Ninguém se pode sentir chamado a ser Diácono, se já antes não faz a experiência do serviço.

2) Qual a diferença entre um diácono e um padre?

Fundamentalmente é uma diferença de ordem sacramental. O ministério do Diácono existiu na Igreja dos primeiros séculos e depois foi decaindo até ficar reduzido apenas aos que se encontravam em processo de formação para o sacerdócio. E por isso era um ministério vivido e exercido temporariamente. Foi graças ao 2º Concílio Ecuménico realizado no Vaticano (daí ser conhecido por Vaticano II – estamos a celebrar os 50 anos da sua realização) quem fez renascer das cinzas da história este ministério dando-lhe um carácter mais estável e mais visível (e por isso a designação de Diácono Permanente).

Enquanto o padre – ou o Presbítero, é a mesma coisa – no exercício do seu ministério torna visível a presença de Cristo-Sacerdote e Pastor do Seu povo (que é a Igreja), que o guia e alimenta pela Palavra de Deus e pelo Sacramento da Eucaristia, o Diácono torna visível (e por isso é um sinal sacramental) a dimensão do Serviço: Eu estou no meio de vós como aquele que serve (já dizia Jesus). É esta dimensão do Serviço aos outros que o Diácono torna mais visível aos outros; é uma forma de estar sempre a lembrar a todos os baptizados que todos somos chamados a servir os outros.

3) Porque não escolheu ser padre?

Esta pergunta liga-se, de certo modo com a primeira. Quando se vive, se experimenta um espírito de serviço à Igreja e aos outros, é normal que a dado momento da vida, principalmente quando se é jovem, como vós, e é preciso tomar decisões em ordem à definição de um projecto de vida, é normal que surja a interrogação «Será que Deus me chama a ser padre?». Eu reconheço que a dada altura da minha juventude, me coloquei perante esta mesma questão e procurei o apoio do meu pároco (na altura), para me ajudar a descobrir caminhos… depois, por diversas razões, acabei por dar um rumo à vida de outra forma, mas o “bichinho” de servir ficou cá dentro.

Depois surgiu este novo caminho na minha vida, pensei, conversei em casa com a esposa e com o filho mais velho e o caminho foi-se fazendo… e aqui estou.

4) Qual o perfil profissional de um diácono?

Em primeiro lugar é preciso dizer e deixar claro que, ser diácono não é uma profissão, como ser padre também não é. Ser diácono ou ser padre, tal como ser freira ou ser frade, decidir casar e constituir família é a realização de uma Vocação. A palavra “Vocação” significa “chamamento”; para haver chamamento é preciso haver quem chame. Ora, na perspectiva cristã, quem chama é Deus, através do Espírito Santo; e chama para quê? Para realizar a vocação fundamental de qualquer ser humano, que é viver uma relação de amor que me faça verdadeiramente feliz. Outra coisa é o caminho que eu escolho para realizar esta minha vocação. Infelizmente, hoje em dia, confunde-se Vocação, com aptidão para ser isto ou aquilo. Mas a Vocação é algo de mais profundo.

Uma profissão é uma actividade que se exerce e pela qual se recebe um vencimento.

Portanto, o perfil profissional de um Diácono, na medida em que exerce uma profissão, é aquele que a sua condição profissional lhe exige.

Outra coisa é falarmos das condições que se esperam de um possível candidato a Diácono: em primeiro lugar, possuir aquele espírito, aquele gosto de servir; depois, que seja dotado de algumas capacidades humanas, intelectuais e espirituais necessárias ao bom desempenho do ministério, de modo a que possa ser o tal “sinal” de Cristo-Servo.

5) O que pode ou não fazer?

Esta pergunta deriva da anterior sobre as diferenças entre o ser diácono e ser padre (ou presbítero). Antes de mais, deixai dizer isto. O Sacramento da Ordem divide-se em 3 graus: o grau do Diaconado, o grau do Presbiterado e o grau do Episcopado. Portanto, um Diácono é um ministro ordenado que recebeu o primeiro grau do Sacramento da Ordem. Os padres (ou presbíteros) receberam o Sacramento da Ordem primeiro no grau de diaconado e mais tarde no grau de presbítero. Os bispos eram presbíteros que foram chamados ao ministério episcopal e, por isso receberam o Sacramento da Ordem no grau do Episcopado.

Qualquer ministro ordenado é chamado a ser sinal de Cristo no meio dos homens e a estarem ao serviço dos outros no âmbito da Caridade (serviço aos mais pobres, aos que sofrem, etc…), da Palavra (pelo anúncio/vivência da Palavra de Deus, no seu dia a dia, mas também nas actividades específicas de âmbito paroquial, ajudando outros a aprofundar a sua fé no conhecimento da Sagrada Escritura, ou da Catequese…) e da Liturgia (pela frequência dos Sacramentos, particularmente da Eucaristia e da Reconciliação) seja pela disponibilidade para acolher os que se aproximam dos outros Sacramentos.

Tendo em conta este enquadramento, o Diácono pode e deve ser em primeiro lugar alguém atento às necessidades dos outros (dos mais carenciados, dos doentes…), trazendo para a comunidade paroquial aquelas situações que tenha conhecimento e que precisam da atenção sócio-caritativa ou de atenção aos doentes, para que os grupos existentes neste sector (Vicentinos, Visitadores de doentes, etc…) possam atender; se não existirem, aí está uma área onde o Diácono pode exercer o seu ministério fomentando a sua criação; no âmbito da Palavra, pode ser chamado, como disse, a ajudar outros grupos a crescer e a aprofundar a fé pela oração e meditação da Sagrada Escritura, na formação/preparação de noivos para o Matrimónio, na formação/preparação dos pais e padrinhos para o Sacramento do Baptismo; no âmbito da Liturgia, pode presidir ao Baptismo, pode presidir a uma celebração da Palavra, pode presidir à celebração das exéquias, pode presidir à celebração do Matrimónio. Só não pode presidir à celebração da Eucaristia (da Missa), ao Sacramento da Reconciliação, ao Sacramento do Crisma, nem ao Sacramento da Unção dos Doentes, porque estes são sacramentos reservados aos presbíteros e aos Bispos.

Para terminar, só uma observação que é fundamental: o Diácono é um ministro ordenado e, por isso, está ao serviço do Bispo da Diocese que o envia para desempenhar o seu ministério numa comunidade paroquial, como colaborador do respectivo Pároco; por isso, o desempenho do seu ministério deve resultar da articulação que se espera existir entre o Pároco e o Diácono.

6) Que mais valias trouxe para a sua vida?

Qualquer sacramento que um cristão receba é sempre uma mais valia para a sua vida, pois recebe a força do Espírito Santo para o desempenho de uma missão. O Sacramento da Ordem apenas me enriqueceu com a graça do Espírito Santo em ordem a ser para os outros um sinal de Cristo-Servo; para isso, só me é exigido que tenha o coração aberto, pela oração, escuta/meditação da Palavra de Deus e frequência dos Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, para que o Espírito Santo possa verdadeiramente actuar.

7) Qual a diferença entre ser um homem casado e católico, um leigo e ser diácono?

O 2º Concílio do Vaticano (do qual estamos a celebrar os 50 anos da sua realização) definiu a Igreja como “Povo de Baptizados”. Portanto, em primeiro lugar, na Igreja, somos todos iguais porque todos baptizados. Depois, há uma distinção que se faz entre os que são chamados a estarem ao serviço deste mesmo povo de Deus pelo Sacramento da Ordem (diáconos, presbíteros e bispos) e os restantes fiéis (fiéis leigos). Por isso, para responder à pergunta: um leigo, pode ou não estar casado (pode-se ser celibatário – solteiro – por opção de vida); um diácono, é um fiel baptizado, que recebe o sacramento da ordem e faz a ponte entre os leigos e os restante ministros ordenados (padres e bispos); e faz a ponte na medida em que sendo alguém que desempenha uma profissão, está mais perto das realidades do mundo e das dificuldades dos outros que como ele partilham a condição de trabalhadores, inseridos num ambiente familiar, podem trazer ao de cima estas mesmas realidades e partilhá-las com os restantes membros do clero (padres e bispos) para em conjunto descobrirem caminhos que ajudem a iluminar estas realidades com a luz do Evangelho.

8) O facto de ser diácono altera a sua vida? Seria um pai diferente, um cidadão diferente, um professor diferente se não o fosse?

Claro que altera e deve alterar, mas para melhor. Em primeiro lugar porque me obriga a ser ainda mais homem de oração e de meditação da Palavra de Deus, juntamente com a minha família; e depois porque me obriga a procurar orientar a minha vida ainda mais no caminho de Cristo, até porque o ser diácono me torna uma pessoa muito mais exposta perante os outros, o que exige de mim uma maior atenção ao que faço e como faço, ao que digo e à forma como o digo, etc… É uma questão de coerência. Não é a mesma coisa que ser um simples fiel cristão, que vive a sua fé debaixo de um certo anonimato.

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